domingo, 19 de janeiro de 2014

Memories...

Eu pedia pra brincar de sessão de cinema, vc fazia pipoca e fechava as cortinas pra eu assistir a filmes do Jerry Lewis acompanhada dos meus bonecos e bichinhos de pelúcia, que lotavam a sala.
Você não se importava que eu pegasse todas as cadeiras da sala e colocasse no quintal enfileiradas pra que eu brincasse de comissária de bordo.
Você fazia suspiro toda vez que eu pedia e não se importava que eu metesse o dedo na massa e passasse nos lábios pra fingir que estava de batom branco.
Você deixava eu lamber a massa de bolo toda vez.
Você era destemida e levava a gente pra todo canto de ônibus mesmo; duas crianças pequenas, um monte de bolsa e lá íamos nós. Era tão bom... E levava a gente pra ver todos os filmes que estavam em cartaz.
Você acompanhava a gente nas apresentações de ballet e jazz e ficava babando como se fôssemos as primeiras bailarinas do Municipal.
Você colocava a gente pra tomar banho de picina ao som de música clássica.
Você cantava e dançava ao som de Beatles, Dire Straits, etc, enquanto cozinhava ou lavava louça.
Você curtia Guns n'Roses comigo e nunca me reprimiu ou torceu o nariz quando eu comecei a ouvir Metal, pelo contrário, vc entrou no meu mundo e muitas vezes te vi cantarolar músicas do Sepultura enquanto eu ouvia.
Você assisitia Chaves comigo e gargalhava junto.
Você fazia a melhor trança nos meus cabelos de todas.


Às vezes os conflitos e os atritos são tantos que as boas lembranças da infância ficam esquecidas em algum lugar no tempo...

É, mãe, nós duas tivemos nossa cota de brigas, mágoas e aborrecimentos... Morávamos juntas e mesmo assim, era como se estivéssemos separadas...

Precisei sair de casa pra que a gente se entendesse. E que bom! Nos entendemos!

Nesses mais de 3 anos fora de casa, pude sentir todo o amor que você tinha por mim. Pude ver que era real, forte e inigualável. Pude comprovar que por mim você seria capaz de brigar com unhas e dentes, e que me defenderia contra todos, mesmo que eu tivesse feito algo fora de seu agrado...

Só posso agradecer por ter tido a chance de me reconciliar contigo ainda aqui. De poder ter te dito tantas vezes o quanto eu te amava e sempre amei, apesar de todas as nossas diferenças... Por termos vivido intensamente nosso amor de mãe e filha.

Como dói saber que não vou mais vê-la, não vou mais conversar com você, te dar beijos e abraços...

No último dia em que nos vimos, você me deu um abraço tão apertado e gostoso... Parecia mesmo que estava se despedindo de mim...

Quero guardar seu último abraço para sempre no meu coração, quero guardar o som da sua voz tão linda e que cantava tão bem, quero guardar o seu sorriso e o seu carinho...

Que saudade, mãe... Os dias têm sido muito difíceis sem você, parece que tudo é um pesadelo... Quero acreditar no que os amigos dizem, que você estará sempre olhando por mim e me protegendo... Mas dói demais a sua ausência...

Você foi uma mulher muito amada, pelo papai que foi um marido apaixonado, por mim e minha irmã, mesmo dentro das nossas imperfeições, e por seus netinhos lindos que você tanto ajudou a cuidar...

Espero que a senhora continue cuidando de mim, me protegendo de todo o mal e que um dia, quando eu tiver meus filhos, você possa amá-los mesmo daí do céu e que me ajude a ser uma boa mãe.

A dor é muita mesmo!

Tenho fé que um dia a dor amenize e que fiquem apenas as boas lembranças e a saudade...

Te amo para sempre, mãe!

4 comentários:

Felipe Rozza - Méier 1 disse...

Emocionante o seu texto...mãe devia ser eterna...bjs com carinho do sempre amigo, Felipe

Rosele disse...

Devia ser eterna mesmo... Mas pelo menos, ela vai ser eterna enquanto viver em nossos corações...

Fatima Pacheco disse...

Querida amiga , lindas palavras, sei que sua mãe lá do céu estará olhando sempre para você. A dor agora é grande ela não passa só ameniza e acaba se transformando em saudade. Bjs Fátima

Elizabeth Lima disse...

que lindo amor! cheguei às lágrimas de tanta emoção!